Higiene e limpeza hospitalar: sem elos, não há saúde!

O Ambiente Hospitalar, pela natureza de suas funções, por um lado é ampla fonte de contaminantes e patógenos. Ao mesmo tempo, para que consi­ga aquilo a que se propõe, ou seja, alcançar a cura do paciente, precisa ser rigorosa e sistematicamente limpo. A maneira de conciliar essa ambiguidade, é desenvolvendo métodos e processos coerentes, efetivos e seguidos por todos, com a consciência da importância de seu papel no processo.

Por definição, limpeza hospitalar é todo o processo, físico ou químico, ou pela combinação destes, para a completa remoção de sujidades e patógenos das superfícies do ambiente, materiais e equipamentos. O objetivo é assegurar um local com a menor taxa de contaminação possível, reduzindo a possibilidade de transmissão de patógenos. A limpeza de unidade de saúde, era num passado não muito remoto, executada pela equipe de enfermagem, porém, dento das novas diretrizes de administração e governança, passou a ser realizada por profissionais próprios, especificamente treinados e capacitados para a função ou, em algumas instituições, por equipes terceirizadas, contratadas especificamente para essa função, e devidamente geridas e coordenadas pela chefia de governança hospitalar.

Este conjunto de ações tem início a partir da separação das áreas da unidade, de acor­do com seu potencial risco de contaminação e transferência desses contaminantes, a saber:

  • Áreas críticas: são aquelas que oferecem maior risco de transmissão de infecções, ou seja, áreas onde se realizam procedimentos invasivos e/ou que pos­suem pacientes de risco ou com sistema imunológico debilitado, como UTI, clínicas, salas de cirurgias, pronto socorro, central de materiais e esterilização, áreas de descontaminação e preparo de materiais, cozinha, lavanderia etc.
  • Áreas semicríticas: são as ocupa­ das por pacientes com doenças não infecciosas ou infecciosas de baixa transmissibilidade, ou seja, áreas ocupadas por pacientes que não demandem cuidados intensi­vos ou de isolamento, como sala de pacientes, central de triagem etc.
  • Áreas não-críticas: são todos os espaços não ocupados por pacien­tes e onde não se realizam proce­dimentos clínicos, como as áreas administrativas e de circulação.

Uma vez definidas as classificações das áreas, as equipes podem se planejar e dividir as tarefas de acordo com o tipo de limpeza a ser executado. As áreas críticas devem ser submetidas diariamente ao processo de limpeza denominado concor­rente, com vistas a assegurar a higiene, e deve incluir a limpeza molhada dos banheiros e pisos, assim como a higienização de superfícies horizontais e equipamentos mobiliários, o abastecimento e a reposição dos materiais de consumo diário, e final­ mente a remoção dos resíduos hospitalares, segundo sua classificação, como determinam as normas vigentes.

Limpeza imediata ou descontaminação é realizada quando ocorre sujidade após a limpeza concorrente em áreas críticas e semicríticas, em qualquer período do dia. Em geral envolve a presença de sujidades de origem orgânica, química ou radioativa, com riscos de disseminação de contaminação. Esse processo limita-se a remoção imediata da sujidade do local onde ela ocorreu e sua adequada dispensação. A técnica utilizada dependerá do tipo de sujidade e de seu risco de contaminação. A limpeza de manutenção envolve alguns requisitos da limpeza concorrente. Limita-se em geral ao piso, banheiros e esvaziamento de lixo, em locais de gran­de fluxo de pessoal e de procedimentos, devendo ser realizada nos três períodos do dia, segundo a necessidade.

Já a limpeza terminal constitui­ -se no procedimento de limpeza e/ou desinfecção, de todas as áreas do estabelecimento para fins de redução da sujidade, reduzindo a possibilidade de contaminação ambiental. Deve ser realizada periodicamente de acordo com a criticidade das áreas (crítica, semicrítica e não crítica), e inclui todas as superfícies e mobiliários, alcançando, assim, todas as superfícies horizontais e verticais das áreas críticas, semicríticas não-críticas, infraestrutura e área comum. Esse procedimento deve ser realizado ao final de cada intervenção que envolva pacientes.

O processo de limpeza e desinfecção deve ter especial atenção com a denomina­ da unidade do paciente, que compreende a cama, mesa de cabeceira e de refeição, escadinha, cadeira, suporte de soro, campainha, luminária e cesto de lixo. Esses itens devem ser limpos conforme frequência preestabelecida nos protocolos determina­ dos e efetuada por funcionário da higiene. Já a limpeza e desinfecção de artigos e equipamentos como bombas de infusão, de assistência ventilatória, monitores, ficam a cargo da equipe de enfermagem.

Para a execução dos processos de limpeza e higienização em serviços de saúde é necessário a utilização dos chamados agentes saneantes que são substâncias ou preparações destinadas a limpeza, desinfecção, desinfestação, desodorização/ odorização de ambientes. Esses produtos são classificados como risco 1 e risco 2. Os produtos de risco 1 incluem os agentes de limpeza em geral e afins, que são notificados e apresentam a expressão “Produto Saneante Notificado na Anvisa”, seguido do número do processo que originou a notificação. Já os produtos de risco 2 compreendem os saneantes que possuam características de corrosividade, ação desinfetante, sejam à base de microrganis­mos viáveis ou contenham em sua fórmula os ácidos inorgânicos: fluorídrico (HF), nítri­co (HN03), sulfúrico (H2S04). Esse grupo de produtos precisa ser registrado junto à Anvisa. Para que a limpeza atinja seus objetivos, torna-se imprescindível a utilização de produtos saneantes, como sabões e detergentes nas diluições recomendadas.

A entidade deve estar atenta que durante todos os procedimentos em questão sejam observadas as normas ditadas por entidades como a Anvisa, que regulamenta o tipo de produtos e equipamentos   adequados   para cada setor, além de garantir e exigir de todos os colaboradores envolvidos o uso de dos equipamentos de proteção individual cabíveis para as funções.

 FONTE:REVISTA HOSP
DATA: EDIÇÃO MAR-ABR/2018