Lesão por Pressão: Uma abordagem prática para a segurança do paciente

Todos os anos, 2,5 milhões de pacientes desenvolvem uma lesão por pressão e, como resultado, 60 mil des­ses pacientes morrem.

“Estes números são impressionantes”, observa Lisa Spruce, diretora da AORN em prática perioperatória baseada em evidências. “Queremos garantir que es­tamos fazendo todo o possível para atingir o maior número de enfermeiros perioperatórios, com as reco­mendações baseadas em evidências que moldamos para reduzir o risco de lesões por pressão, entre ou­tras práticas perioperatórias de alto risco que podem prejudicar os pacientes.

Este objetivo levou a AORN a lançar uma série de workshops presenciais para implementação das Diretrizes, fornecendo uma abordagem atual para en­tender as práticas baseadas em evidências, tendo como foco a preocupação sobre segurança específica, trata­da nas Diretrizes da AORN para Prática Perioperatória, como a recente obra atualizada da AORN “Orientação sobre o Posicionamento do Paciente”, que contem­pla práticas que podem reduzir o risco de lesões por pressão. De acordo com Spruce, “compreender a prá­tica baseada em evidências por meio da aprendiza­gem prática é um método eficaz para ajudar os enfer­meiros a manter o conhecimento”.

Ela promoveu esse método, em colaboração com os autores, nos workshops de implementação das Diretrizes da AORN, que foram realizados em novem­bro por todos os EUA.

Cada workshop abordou um dos seis tópicos identifica­dos pelos membros da AORN, que apresentavam as prá­ticas mais difíceis. Esses tópicos incluíram:

  • Prevenção de hipotermia;
  • Selantes de tecido e agentes hemostáticos;
  • Processamento de endoscópios flexíveis;
  • Prevenção de lesões por pressão;
  • Prevenção de itens cirúrgicos retidos;
  • antissepsia cutânea.

Os workshops também promoveram tempo para network entre os profissionais, para troca de conheci­mentos sobre as estratégias que estão sendo aplicadas, e com os representantes da indústria, para aprendizado sobre as tecnologias do mercado, abordando as reco­mendações das diretrizes.

“Foi como uma mini Expo”, diz. “Para os enfermeiros que estavam enfrentando desafios com uma prática específi­ca, esses workshops ofereceram a oportunidade de apri­morar os conhecimentos e os recursos necessários para implementação da segurança na prática.

Exemplos de abordagens nos workshops para a implementação das Diretrizes:

  • . Um teste simplificado para um item cirúrgico retido com a equipe perioperatória e um júri representado pelos participantes, para entender o que falha na prática recomendada, resultando no item cirúrgico retido.
  • Diálogo com um autor das Diretrizes para entender como a evidência foi selecionada e avaliada para elaborar uma recomendação de prática e para aprender mais sobre o conjunto atual de evidências que abordam o tópico específico de segurança perioperatória.
  • Colaboração em equipe entre grupos de participantes para tratar de um erro de segurança comum, com base nas recomendações de uma diretriz específica da AORN.
  • Impressão e implementação de recursos on-line com os participantes de uma pasta de trabalho como um meio de retomar a implementação das diretrizes, de forma mais efetiva em suas próprias configurações de prática.
  • Exposição prática às tecnologias cirúrgicas que suportam as diretrizes da AORN no tratamento de problemas de segurança, como aplicação de identificação por radiofrequência para reduzir o risco de um item cirúrgico retido.

“Nosso objetivo final com os workshops e com as recomendações baseadas em evidências que explo­ramos é compartilhar soluções significativas para os desafios de segurança que os enfermeiros periope­ratórios enfrentam”.

“Os pacientes confiam no sistema de saúde e na equipe perioperatória para que não sejam feridos durante o atendimento cirúrgico. Nesse sentido, os workshops de implementação das Diretrizes forne­ceram o conhecimento e a compreensão necessá­ria para apoiar os enfermeiros perioperatórios na condução dos cuidados de segurança do paciente, alcançando o melhor resultado possível”.

Prevenção de lesões por pressão nos hospitais: estamos prontos para essa mudança?

 

RECURSOS ADICIONAIS

Cada workshop de implementação das Diretrizes teve a duração de um dia, das 7h às 16h. Os participantes também receberam uma subscrição de 12 meses para acesso às Diretrizes da AORN: Prática Perioperatória e Orientações Essenciais.

Acesse as ferramentas de implementação on-line da AORN, elaboradas para ajudar você e sua organização a traduzirem evidência em prática™.

Como o cuidado com lesão por pressão é complexo, os esforços para melhorar sua prevenção requerem uma abordagem do sistema que envolva mudanças organizacionais. Trazer mudanças de qualquer tipo é difícil. É ainda mais difícil quando envolve múltiplas modificações simultâneas no fluxo de trabalho, co­municação e tomada de decisão, conforme neces­sário, em uma iniciativa de prevenção de lesão por pressão. A falta de avaliação da sua instituição para a mudança em vários níveis, pode levar a dificuldades imprevisíveis na implementação, ou mesmo à falha completa do esforço. Cada uma das perguntas abai­xo ajudará você e a sua instituição a explorar e iden­tificar imediatamente as etapas de ação para melho­ria, se necessário.

  • . Os membros da instituição entendem por que a mudança é necessária?
  • . Existe urgência para mudar?
  • A liderança administrativa sênior apoia a iniciativa?
  • . Quem se apropriará desse esforço?
  • . Quais recursos são necessários?
  • E se não estiverem prontos?

Os membros organizacionais entendem por que a mudança é necessária?

A prontidão requer, tanto a capacidade de fazer mudanças (por exemplo, saber o que é o novo pro­tocolo de prevenção e como usá-lo), quanto a mo­tivação para fazer a mudança. Essa motivação pode ser ajudada por fatores externos, como os mandatos federais ou estaduais. Mas, é mais provável que seja forte e duradouro se basear em uma compreensão clara das preocupações por trás da mudança plane­jada em todos os níveis da organização.

Existem muitas razões potenciais para implemen­tar um programa de prevenção de lesão por pres­são. Embora ofereçamos motivos gerais e estatísticas na caixa abaixo, motivos ou casos locais podem ser mais tangíveis e atraentes. Por exemplo:

  • . Sua instituição experimentou um aumento significativo ou aumento nas taxas de lesão por pressão?
  • . Sua instituição está respondendo a mudanças?
  • . Houve algum evento adverso notável que tenha sido relacionado a lesão por pressão?
  • A instituição foi alvo de uma ação legal relacionada à lesão por pressão?
  • . Os membros da equipe têm experiência pessoal com um familiar afetado por uma lesão de pressão?

 

Você sabia?

Número afetado: 2,5 milhões de pacientes por ano.

Custo: lesões por pressão custam US $ 9,1 a US $ 11,6 bilhões por ano nos EUA. O cus­to do atendimento ao paciente individual varia de US $ 20.900 a 151.700 por lesões. A Medicare estimou em 2007 que cada lesão por pressão adicionou US$ 43.180 em cus­tos para uma internação hospitalar.

Ações: Mais de 17 mil ações judiciais estão relacionadas a lesões por pressão anual­mente. É a segunda reivindicação mais co­mum após morte injusta e maior do que quedas ou sofrimento emocional.

Dor: lesões de pressão podem estar asso­ciadas a dor severa.

Morte: a cada ano, cerca de 60 mil pacientes morrem como resultado direto de uma lesão por pressão a cada ano.

 

FONTE AORN
DATA DA PUBLICAÇÃO 18 de outubro de 2017
Revista SOBECC com Você no Bloco Operatório – Edição Out-Dez/2017
TRADUÇÃO SOBECC Nacional